ANJOS E LOUCOS NÓS SOMOS
Sim nós
somos anjos e somos loucos, pois trabalhamos tanto e não pensamos em parar...Foi
o que pensei desde logo com as passagens súbitas do Carlos Alberto dos Anjos,
cinegrafista da TVE, e do músico Volmir Martins.
O primeiro,
um anjo até no nome, era o cara em quem eu identificava nos eventos sempre..’A
TVE está aí...’ quando exergava o sorriso debaixo do indefectível boné dos Carlos Alberto dos Anjos. Firmamos
uma simpatia recíproca quando atuei na TVE, na década de noventa, com o programa ‘Canta Povo’, do SICOMRS que tratava
de documentar a vida e obra dos compositores gaúchos, semanalmente em uma hora,
com reprise. E eu produzia, apresentava, gravava, editava junto com a equipe de edição da nossa
TVE e, às vezes, até subia o morro Santa Tereza, literalmente, com o cenário
nas costas(uma tela de algodão gigante
de seis por cinco metros, do Bira Fernandes).
E a marca
registrada do anjo Carlos Alberto dos Anjos sempre foi: amizade,
disponibilidade, competência, apoio, força e abnegação. Ficou guardado no meu
coração para sempre. Reencontrá-lo nas
passeatas, atos públicos, audiências, espetáculos sempre foi uma afirmação do
trabalho fantástico desses profissionais maravilhosos da TVE. E o Carlos
Alberto dos Anjos para mim era o porta estandarte alegre e simpático desse
trabalho mudo e desapercebido pelos que não tem sensibilidade mais apurada, do
pessoal querido que faz os bastidores da comunicação pública deste estado.
E ele não
pensava em parar: com 37 anos de TVE e 68 de vida esbanjava boa forma e bom
humor e competência e fez sua passagem trabalhando, na cobertura do julgamento
do TRF4.
O Volmir
Martins, cantor e compositor gaúcho, ontem falecido em acidente, também não
pensava em parar. Com 48 anos de vida, louca e intensa vida, fazia o que muitos
artistas nesse mundo fazem: produzia, gravava, transportava os músicos com ele,
fazia o show e ainda pelo visto, dirigia a van. Tudo num esforço hercúleo para
cumprir seu papel de cantar, cantar e cantar. A qualquer preço cantar e
alimentar sua família e de seus músicos.
Dois
valorosos amigos que loucamente se dedicaram ao que amavam com todas as forças,
com os ônus e bônus, ambos foram para o andar de cima fazendo o que mais
adoravam fazer, a sua razão de ser, o trabalho que escolheram nessa curta
passagem terrena.
Fica para
mim o exemplo e o sorriso de ambos. As tiradas cômicas do Volmir, os gritos de
gaúcho pachola e largado que o caracterizavam,mas uma alegria incontida de
fazer bem seu papel lindo de artista.
E do Carlos
Alberto dos Anjos fica o sorriso apoiador, a mão no ombro na hora do cansaço
que assola que se mete a querer ‘fazer tudo’, como sempre fiz, num estado que
pouco ou nenhum apoio dá a cultura.
É só ver o
que estão fazendo com a TVE e com a Secretaria da Cultura: a segunda não existe
mais e a primeira agoniza. De bom, só o exemplo e o riso fácil desses dois amantes
dedicados daquilo que faziam. Isso nos fortalece, enobrece e encanta!
Luz, guris,
na nova caminhada!


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