Conservatória – a cidade seresteira e minha formação musical
‘A seresta está no DNA da música
brasileira, inclusive da minha...’(Renato Teixeira)
Me perguntam
muito como comecei na música. Minha mãe contou que quando eu era nenê
cantarolava ao invés de chorar e usava o dedão do pé como microfone(risos)....
O dom veio
de meus pais, seguramente, pois, o pai, embora não tocasse instrumento ou
escrevesse poesia, sentia fundo como ninguém qualquer canção. A mãe era musical
total, e embora também não tocasse ou cantasse, entendia de ouvir música como poucos,
era afinada e sempre me ajudou a escolher repertório de meus espetáculos.Aliás,
eu com 7 anos cantava em programa de
rádio na minha cidade natal , Santa Rosa, com bandão de 8 músicos, backing
vocals e sopros(mas ‘bah tchê’! Que tal¿).
Aliás, tenho
que reconhecer que o cara que herdou mesmo os dons de nossos pais é meu irmão
mais novo, Omar Franco, pois escreve letras de canções como poucos e cozinha
inigualavelmente! Ah! Esqueci de dizer que minha mãe era ‘doutora’ em cozinhar
bem.Dava aula de culinária e tudo.
Muito bem...Numa
madrugada dessas tive uma vontade de me transportar para Conservatória-RJ, a
cidade encantada da seresta que conheci numa reportagem longa(Graças a Deus) da
TVE(aquela que o Sartori quer extinguir);
Ela fica a 3
horas do RJ e respira música por todos seus poros, mais especificamente a
seresta...ou seja, aquelas canções antológicas que encheram a vida das pessoas
nas décadas de 40 , 50 e um pouco mais.
Daí mais uma
coisa interessante da minha memória musical: eu não tenho os Beatles como
referência na minha música, como boa parte dos que são da minha geração, mas a
minha formação vem das grandes cantoras dessas décadas de ouro da música
brasileira: Ângela Maria, Elizete Cardoso, Dolores Duran, Nora Nei, Dalva de
Oliveira, Maysa e, mais recentemente, as discípulas fiéis delas: Elis Regina,
Marisa Monte, Clara Nunes, e outras(poucas
infelizmente)...
E sabe porquê¿
Minha mãe, musical como era, ouvia direto, e eu junto, desde sua barriga, os ‘bolachões’ de 70 RPM dessas divas e dos
grandes intérpretes brasileiros.
Para
completar, conheci e convivi 23 anos
direto com aquele que se tornaria meu mestre encarnado na arte do canto e da
música, Airton Pimentel,(outro com a
seresta no seu DNA). E aí terminei de me formar e me tornar a cantora que sou
hoje, ainda sempre aprendendo, claro...
Então, a
cidade seresteira, que respira seresta em todos seus moradores e é atração
turística da serra carioca me encantou, pelo que eu vi na reportagem e pelos
depoimentos do Renato Teixeira, do Cravo Albin e outros músicos da própria
Conservatória...
Tudo começou
com uma dupla de músicos que estudava no RJ e ia para casa nos fins de semana e
tocava direto, na rua, nas casas, nos locais públicos, com muita seresta e com a característica de envolver os moradores
nisso.
Aí a cidade
encantou!
Hoje é ponto
turístico, com excursões de pessoas que percorrem a cidade por todo o fim de
semana, com pontos e espetáculos de noite e de dia, com direito a ‘Choro na
Praça’ para temperar tudo!
A Camerata
de Conservatória tem uma empregada doméstica, uma trabalhadora rural tocando,
assim como donas de casa e atendentes das poucas lojas cantam: todo mundo está
envolvido com a seresta direto!
Duas
professoras estão fazendo o projeto ‘Jovem também gosta de seresta’ na praça da
cidade, para crianças e jovens, ensinando as canções, passando as letras, as
harmonias e ensaiando com a moçada toda semana:uma beleza!
Me
apaixonei!






Comentários
Postar um comentário