Uns encontros e misturas de cheiros e sons de quinta na vizinhança...
Acendo
incenso de sândalo, mas meu irmão não suporta...
Corro de madrugada
pra não cheirar o cano de descarga dos carros pois moro no centro da capital.
Ligo a Ênya,
com um cavalo branco, do disco que ganhei da amiga Bea Kassow...O vizinho se
acomoda num Pink Floyd da década de oitenta e o helicóptero se ajeita entre
prédios, muito barulhento, para documentar a reintegração de posse no Hotel
Açores, na Rua da Praia.
Manifestantes
iniciam com seu megafone os trabalhos de mais um dia de protestos: E para
protestar não falta coisa...
O Colégio das
Dores, com seu recreio, solta a criançada e sua alegria que ecoa por entre
todos os prédios da quadra.
Meu Shiva na
parede me olha com olhos semi abertos,meditando, e eu me lembro de terminar
meus decretos do dia(parei na chama azul:falta a violeta, a dourada e a verde)...
Requento uns
pinhões do jogo danado de ontem(pipoca nem fiz) e me acomodo na quinta feira,
já com 4 coisas certinhas para fazer à tarde e noite.
Tomo um café
passado sem açúcar e desenho as petições em mais um dia de advogada, terapeuta,
música e cidadã: que se acolheram e convivem harmonicamente nas minhas entranhas.
Meu parceiro
de corrida matinal dorme de todo pelo na área de serviço e um mantra evola do
computador de meu irmão, que agora vai caminhar.
Esgueira-se
a quinta e seus compromissos e vou tecendo a tela do dia: entre os ‘tem que’,
chamados inadiáveis, prazos, entristecimentos, alegrias, lembranças e
vislumbres de novos momentos.
A vizinha
comenta no corredor que meu incenso tá muito forte e eu trato de apagar esse...
Convivências
e acomodações em um apartamento, num prédio, no centro histórico de Porto
Alegre:esgueira-se a vida por entre janelas, áreas de serviço, janelas,
pessoas, bichos e sons da cidade que escolhi para viver.
A vida em
plenitude mandando a gente Viver, na acepção da palavra! E viva a Vida!

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